Retratos documentais
Os retratos podem ser uma linguagem poderosa para contar uma história, como no caso do projeto Exilados, ou Exile, que foi exposto na Bienal Manif d’Art, de Quebec, Canadá. Morei por duas semanas dentro do campo de refugiados Borj Barajneh, na casa de uma de suas famílias, para retratar seus moradores, e as dificuldades extras trazidas pela recém iniciada guerra da Síria. Mais pessoas entravam no já superlotado terreno de 1 quilômetro quadrado que, pouco depois da fuga dos palestinos de Israel em 1947, foi criado pela ONU para recebe-los, primeiro em barracas e agora em casas de alvenaria que não param de ganhar pisos extras para receber os novos membros das famílias em crescimento.
Como encontrar temáticas?
Uma boa idéia é começar com temáticas que você seja apaixonado, ou interessado. No meu caso, eu gosto de me aventurar, conhecer novas culturas, ter viagens que são também experiências profundas de auto-conhecimento e descobertas inusitadas. Eu estava pesquisando sobre a Primavera Árabe e interessado em viajar para lá. Vi que existia um risco grande, então pisei no freio. Estava lendo um livro chamado de Beirute a Jerusalém, de um jornalista do The New York Times, que trabalhando com a questão árabe e palestina por muitos anos. Resolvi fazer esta rota. Neste meio tempo uma amiga do jornal Valor Econômico me indicou um amiga que fez no campo Borj Barajneh, quando morou por 2 anos na região fazendo trabalho voluntário. Ter contatos facilita muito o processo. Ela encontrou uma família onde poderia ficar hospedado no meu tempo no campo de refugiados. Outro caminho é buscar ONGs, associações, federações, sindicatos, empresas que trabalham com a temática escolhida. As pistas vão surgindo quando se mostra interesse.